Com luvas cor-de-rosa, mulheres buscam levar a feminilidade ao boxe

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Apesar da adesão cada vez maior das mulheres à prática do boxe (pugilismo), hoje adaptado como uma importante atividade aeróbica nas academias de ginástica, clubes e em projetos sociais, o esporte está longe de masculinizar seus praticantes do sexo feminino. Os cruzados, ganchos e jabs podem até ser realizados com habilidade, força e determinação, mas as mãos que aplicam os golpes, hoje, estão protegidas por luvas cor-de-rosa, lilás ou brancas, muito mais femininas do que o preto e o vermelho que sempre caracterizaram o principal acessório desse esporte.

Inserido na grade de aulas das academias por contribuir rapidamente para a perda de calorias e para melhorar o condicionamento físico, o boxe “caiu como uma luva” para as pessoas que preferem atividade mais dinâmicas do que as tradicionais aeróbicas oferecidas pelos professores de Educação Física. A resistência das mulheres contra a luta foi nocauteada pelos muitos benefícios que a prática desse esporte traz.

“Por ser uma atividade de intensidade moderada, mas de longa duração, o pugilismo melhora a resistência cardiovascular e diminui consideravelmente a pressão arterial sanguínea. Além disso, para a realização das técnicas é necessária muita coordenação motora e agilidade, proporcionando, assim, uma melhora nessas capacidades físicas. Por se tratar de uma aula em grupo, o boxe também auxilia na socialização por meio dos constantes diálogos com o professor e na ação da prática com os colegas de aula. Sem contar que o bom alongamento, necessário no começo e no final das aulas, aumenta a capacidade de flexibilidade de cada um”, explica o professor de boxe da Academia Hammer Sports, Tuani Bianco.

“Nas academias, procuramos adaptar aulas de boxe para torná-lo uma modalidade que busca não a luta como objetivo, mas a qualidade de vida a partir de uma atividade física relacionada ao desporto”, acrescenta. Na Hammer Sports as aulas de boxe são ministradas as quartas e sextas-feiras, das 19h às 20h.

Tuani acredita que o aumento da procura pelo boxe nas academias deve-se, principalmente, à inclusão do boxe feminino nas Olimpíadas desse ano, nos Jogos de Londres-2012, última modalidade a aceitar mulheres na competição, além da ampla divulgação que a mídia vem fazendo do MMA Mixed Martial Arts (artes marciais mistas). Vale lembrar que o Brasil teve uma boa participação nas Olimpíadas, com três medalhas, sendo uma delas, de bronze, conqusitada por Adriana Araújo.

Cristiane, Cíntia, Camila e Juliana levam feminilidade ao boxe

Mulheres já são a maioria
Se o boxe até pouco tempo atraia apenas os homens, hoje, as mulheres chegam a ser maioria em muitas das aulas. Atraída ao boxe pela grande divulgação do MMA (Artes Marciais Mistas), Cristiane Sakata, 29 anos, encontrou na modalidade a forma de queimar calorias, ganhar resistência e se desestressar. “No boxe é possível aliar essas três coisas, além de ser divertido”.

“Estava cansada das mesmas coisas e decidi encarar o boxe. Confesso que considerava o esporte meio masculino. Para ajudar a quebrar paradigmas, resolvi dar um toque feminino e escolhi luvas cor-de-rosa. É legal colocar um pouco de feminilidade à luta”, diz Juliana Garbellini, 21 anos, estudante de direito.

Camila Banhos, 24 anos, concorda com a colega. “Percebi que não é um esporte masculino e é muito bom para extravasar. Depois de trabalhar o dia todo gasto minha energia batendo no saco de pancadas.” “Entrei nas aulas porque queria emagrecer e ganhar condicionamento físico. Acabei me apaixonando pela modalidade”, destaca Cíntia Oliveira, design de interiores, que pratica boxe há oito meses.

Para os homens, a presença das mulheres trouxe mais harmonia e ânimo. “Elas quebram a sisudez do boxe e eliminam o clima de competição, comum nas aulas só com homens”, destaca Gabriel Serra, 33 anos, representante comercial. “Há uma integração maior e muito mais diversão”, complementa Carlos Longuini, 53 anos, agente da Vara da Infância.

Sobre o boxe
O boxe é considerado arte marcial e faz parte dos Jogos Pan-Americanos e das Olimpíadas. Os boxeadores mais famosos são: Larry Holmes, Muhammad Ali, Sugar Ray Leonard, Oscar de la Hoya, Julio Cesar Chavez e Mike Tyson. No Brasil, os destaques são Éder Jofre, Adilson “Maguila” Rodrigues e Acelino Popó Freitas.

Descobertas arqueológicas indicam que o homem já praticava lutas na antiguidade, usando as mãos e desferindo golpes uns contra os outros. Posteriormente, os gregos praticavam lutas deste tipo com objetivos esportivos e, os romanos, por simples diversão As primeiras regras do boxe, semelhantes às atuais, datam do século XVII, e foram registradas no Reino Unido. O uso de luvas e o número de assaltos foram determinados como regras oficiais em 1867. As categorias, que variam de acordo com o peso do lutador (boxeador ou pugilista), surgiram para tornar as lutas mais competitivas.

Regras
As lutas profissionais possuem, no máximo, 12 assaltos com 3 minutos cada. Há competições nas quais o número de assaltos pode ser menor, como nas Olimpíadas, cujas regras determinam 3 rounds de 3 minutos cada.

Os pontos são atrubuidos por cinco jurados no final de cada assalto e definidos de acordo com os golpes e defesas. A luta termina por nocaute quando um lutador consegue derrubar o adversário e este permanece por 10 segundos no chão. Não são permitidos golpes baixos (na linha da cintura ou abaixo dela).

Principais golpes
Cruzado – aplicado na lateral da cabeça do adversário.
Jab – golpes preparatórios de baixo impacto e rápidos.
Direto – soco frontal.
Upper – desferido de baixo para cima no queixo do oponente.
Hook ou gancho – golpe desferido na linha da cintura do oponente.

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