“Hitchcock: o aparente e o essencial” é tema de mostra gratuita do Cine CPFL

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Alfred Hitchcock, nas palavras do crítico de cinema Inácio Araújo, era um homem de fé. Para o cineasta britânico, o filme deveria promover o encontro entre o aparente e o essencial, entre o corpo e a alma. “Como se algo na nossa vida espiritual devesse ser corrigido. E pudesse ser”, observa o autor de “Hitchcock, o Mestre do Medo”.

Hitchcock, continua o especialista, ensina a contar uma história sem palavras. As imagens é que têm de contar a história. Este encontro entre o aparente e o essencial é o tema do Cine CPFL de março.

O primeiro filme da série, “Festim Diabólico” (1948, 81 min, 14 anos), obra mais experimental do diretor, será exibido na quinta-feira, 03/03, às 19h, na Sala Umuarama do Instituto CPFL Cultura, em Campinas (SP).

Durante a retrospectiva, o público terá a oportunidade de conferir em tela grande as marcas do diretor que revolucionou o cinema com cortes, tensão do roteiro e uma espécie de metalinguagem da própria produção cinematográfica. É uma oportunidade também para conhecer, mais do que o “mestre do suspense”, como é conhecido, um modo de fazer cinema que se tornou uma referência aos diretores que o sucederam, a começar pelos ícones da Nouvelle Vague, que tinham em Hitchcock uma de suas principais inspirações.

Programação:

03/03
Festim Diabólico, 1948, 81 min, 14 anos
Em seu trabalho mais experimental (e a primeiro em cores), Hitchcock planejou fazer um filme em um só plano, sem cortes aparentes a olho nu. Trata-se de um desafio duplo ao espectador, representado por Rupert Cadell (James Stewart): desmontar, no meio de uma festa, a farsa de um crime perfeito e identificar os truques de edição nas 10 tomadas de oito minutos cada.

10/03
Janela Indiscreta, 1954, 112 min, 12 anos
Uma aula sobre os limites da visão, da interpretação e da interferência diante de uma realidade entrecortada. O voyeurismo do protagonista é, de certa forma, o voyeurismo do público imóvel, distanciado e dependente de cada ângulo das fotografias dos prédios e das janelas alheias para obter não apenas respostas de uma narrativa, mas também sentidos.

17/03
Um Corpo que Cai, 1958, 129 min, 14 anos
O título original da obra-prima do cineasta é “Vertigo”. O filme, de fato, chega a provocar vertigem no espectador. Não por acaso, mas por um movimento calculado de aproximação e afastamento da câmera. A vertigem é a sensação levada à tela do encontro entre afetos contraditórios: razão e sensibilidade, loucura e sanidade, dever e paixão. O medo de altura do personagem é uma pergunta sem resposta: o que mais nos apavora é exatamente o que mais nos atrai. Por quê?

31/03
Psicose, 1960, 109 min, 14 anos,
Inspirado no romance de Robert Bloch – baseado, por sua vez, na história verídica de um serial killer – o filme foi rejeitado pelo estúdio Paramount e se tornou uma obsessão para o diretor, que decidiu arcar com todos os custos da produção e rodá-lo em preto e branco. O esforço rendeu uma das mais realistas e impressionantes cenas do cinema, e deu a Hitchcock o posto de mestre do suspense.

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