Unicamp inaugura centro da CASS, a Academia Chinesa de Ciências Sociais

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Autor: Luiz Sugimoto

Foto: Antoninho Perri Ascom – Unicamp

A Unicamp é a primeira universidade latino-americana a sediar um centro da CASS (Academia Chinesa de Ciências Sociais), a mais importante instituição de pesquisa da China em ciências sociais e humanidades, com o propósito de refletir sobre as oportunidades e desafios que a ascensão do país asiático apresenta para o Brasil e, mais especificamente, ao Estado de São Paulo. A cerimônia de inauguração do Centro CASS – Unicamp de Estudos sobre a China foi realizada na manhã desta sexta-feira, no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), quando se deu também a assinatura do convênio pelo reitor Marcelo Knobel e Li Peilin, presidente da CASS na China.

Conduzindo a cerimônia, o professor Marcelo Knobel fez um agradecimento especial os 11 integrantes da comitiva chinesa que enfrentaram as dificuldades da viagem e o fuso horário para celebrar o que considera um marco para a universidade brasileira e o país como um todo. “É difícil expressar a importância fundamental que a Academia Chinesa de Ciências Sociais representa em termos de excelência em pesquisas relevantes para a China e todos os países em volta. É impressionante pensar que uma instituição, focada em suas temáticas, tenha cinco mil pesquisadores, o que mostra a sua grandeza. Realmente, é uma alegria enorme estar sediando o CASS.”

Para o reitor da Unicamp, é imprescindível a aproximação e a cooperação Brasil-China em todas as áreas do conhecimento, lembrando a parceria com o Instituto Confúcio, que já faz com que centenas de jovens da Universidade estejam estudando o mandarim. “A distância física é importante, mas uma vez que vamos à China e que chineses vêm ao Brasil, imediatamente notamos uma conexão muito forte tem termos comportamentais e culturais, são bastante similares. É uma satisfação podermos nos aproximar mais nos estudos. Este Centro não será somente para a Unicamp, mas para todo pesquisador em ciências sociais, economia ou cultura que queira estudar as relações Brasil-China. Pessoalmente, estou emocionado com esse projeto tão ambicioso.”

Li Peilin, por sua vez, ressaltou que este é o primeiro Centro CASS para a América Latina, numa parceria que começou há dois anos, quando ele ainda era vice-presidente, e que resultou rapidamente na assinatura do convênio. “Nós escolhemos as melhores universidades e a Unicamp está entre elas. O interesse está em estudos fundamentais para os dois países, principalmente para a China, podendo compreender os nossos problemas com mais foco. Na sociologia, existe uma diferença do período pré-Revolução Cultural. Após a abertura econômica na China, a sociologia ganhou grande importância para a economia e em questões como educação e saúde. Além de aspectos de desenvolvimento e da cultura dos dois países, podemos promover estudos sobre as línguas chinesa e portuguesa para melhor nos entendermos.”

O professor Mariano Laplane, diretor executivo de Relações Internacionais, considera que o convênio com uma instituição de prestígio como a CASS é particularmente importante neste momento em que as ciências humanas estão sendo tão questionadas no Brasil. “É fundamental aumentar a quantidade e melhorar a qualidade das pesquisas sobre as duas sociedades que estão em transformação. Temos muitos assuntos e desafios em comum. A Academia Chinesa de Ciências Sociais começou a abrir parcerias com outros países há pouco tempo e a Unicamp agora é um dos parceiros, por conta da constituição em 2011 do Grupo de Estudos Brasil-China. É uma forma de cooperação ágil, com certo grau de informalidade, possível por ter sido construída em cima de muita confiança.”

Tom Dwyer, docente responsável pelo Grupo de Estudos Brasil-China e agora diretor da CASS no Brasil, afirma que há muitos problemas para pensar e construir um campo de diálogo entre uma civilização mais nova como da América do Sul e a mais antiga, que é da China. “O nosso destino é comum. Esse Centro vai ser uma ferramenta para ir a um novo patamar de integração e intercâmbio no mundo, não apenas para fazer comércio, turismo, aprender sobre a cultura do outro. É a possibilidade de deixar um legado em uma área na qual o Brasil possui pouquíssimos estudos, abrir espaço para diálogos e levar a um mundo com menos probabilidade de guerras, porque infelizmente os tempos estão muito sombrios.”

Hebe Rios

Editora-chefe

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