Uma a cada oito mulheres nascidas hoje terá câncer de mama

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Fonte: Assessoria de Imprensa

Médicos do Brasil e do exterior se reúnem, nos dias 17 e 18 de maio, em simpósio para discutir a saúde da mulher

O Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher acontece no fim do mês (28).  “A mulher que adoece no Brasil é a mesma que sonha, que ama, que gesta, que trabalha, que cuida de tantos e de tudo. Essa mulher é a que está ao seu lado. A que te ama, a que te cuida ou a que está dentro de você. Ela é cada uma de nós ou cada uma que está ao seu lado apoiando sua vida”, afirma Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, oncologista do Grupo SOnHe  que escolheu o mês para falar da saúde da Mulher no II Simpósio de Tumores Femininos de Campinas, que acontece entre os dias 17 e 18 no Royal Palm Plaza e vai reunir médicos especialistas em câncer do Brasil  e do exterior.

Segundo dados publicados em 2018 pela Coordenadoria de Informação e Informática da Secretaria de Saúde de Campinas, em 2013 foram diagnosticados e notificados 632 casos de câncer de mama no município. “Esse é um número de ocorrências reportadas para a Secretária, mas sabemos que é um número muito maior, pois há casos não avisados por não ser uma doença de notificação compulsória. E infelizmente a maioria das pacientes tem a doença localmente avançada (estádio III) e muitas delas já têm sintomas ao diagnóstico. É um dado muito alarmante, pois é sabido e divulgado que o diagnóstico precoce de câncer de mama, no estádio I, quando ainda não existe nenhum sinal ou sintoma da doença, traz chance de cura superior a 90%”, assegura a Dra. Vivian que atua em hospitais públicos e privados no município.

De acordo com a oncologista, uma em cada oito brasileiras nascidas hoje terão câncer de mama durante a vida, se viverem até os 60 anos. “Dessas, 82% não tem nenhum antecedente familiar de câncer de mama. Com o objetivo principal de descrever quem são, como são e como é a doença nas mamas brasileiras, em 2018, uma série de estudos intitulada “AMAZONA I-III”, uma das informações mais importantes coletadas foi que em nosso país temos 41% de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idade inferior a 50 anos, o que é uma proporção maior de diagnósticos em pacientes jovens do que em outros países, como Alemanha e Estados Unidos”, conta Dra. Vivian.

Para a oncologista, o número chama atenção para uma reflexão nas estratégias de rastreamento adotadas atualmente no nosso país, em que se recomenda a mamografia de rotina a partir dos 50 anos. “A informação mostra que é necessário pensar em estratégias eficazes de rastreamento em idade inferior aos 50 anos na nossa população. Outro dado que chama muito a atenção e traz preocupação é que o diagnóstico das nossas mulheres é feito em fase mais tardia da doença. Em torno de 71% das pacientes são diagnosticadas nos estádios II (46,8%) e III (24,6%), quando a doença já é localmente avançada, o que certamente impacta direta e negativamente na mortalidade das brasileiras. Esse número é consideravelmente mais alto do que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com dados que mostram apenas 31% de pacientes com diagnóstico na fase localmente avançada da doença”, alerta.

Não menos importante é a constatação de que a saúde da mulher brasileira vive a mesma desigualdade que banha o Brasil por inteiro. Para a oncologista, as mulheres que são dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS) têm consideravelmente diagnósticos mais tardios, em fase mais avançada da doença do que as que são tratadas na medicina privada, 36,9% versus 16,2%, respectivamente. “Isso mostra que apesar da estratégia de rastreamento para diagnóstico precoce estar disponível no país, não está atingindo a nossa população de mulheres de forma eficaz, seja por que as mulheres não aderem ao exame oferecido, ou por heterogeneidade na distribuição desse recurso”, acredita Dra. Vivian.

Outros tumores

Outro tipo de câncer importante entre as mulheres e que também marca um tipo de desigualdade no nosso Brasil é o câncer de colo uterino. Em estados da região Norte do país esse é o primeiro câncer em incidência na mulher, ultrapassando o câncer de mama, que é o primeiro em incidência em todas as outras regiões, sendo um triste marco das diferenças socioeconômicas desse nosso país continental. “Esse dado vem carregado de um “pesar” que já nos acompanha há décadas, pois apesar de ser um câncer bastante prevenível, por meio da vacinação contra o vírus HPV e pelo teste de citologia oncótica do colo (exame papanicolau), temos uma altíssima incidência e mortalidade por essa doença no Brasil, em comparação aos países desenvolvidos, onde sua incidência é bastante baixa”, afirma a oncologista.

Com menor incidência, mas que também merece atenção é o tumor de ovário. Estima-se 6.150 casos novos no Brasil. “Voltando a falar da nossa mulher que sonha, que ama, que gesta, que trabalha, e que “cuida”, paro minha reflexão no verbo “cuidar”. O mesmo cuidado que nossas mulheres têm com seus filhos, netos, maridos e trabalho, deve ser destinado a ela, seja por parte da ciência, que tem o dever de melhorar o cenário da doença com novas descobertas (cada vez mais frequentes, é verdade!), seja por parte do governo, com melhor gestão assistencial, ou por ela mesma, voltando seu olhar para o seu próprio cuidado como forma de amor à vida”, conclui a médica.

* Vivian Castro Antunes de Vasconcelos formada em oncologia clínica pela Unicamp, oncologista do Caism/Unicamp. Doutoranda na FCM-Unicamp e membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO). Vivian é membro no Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia

Hebe Rios

Editora-chefe

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