Sob o céu…

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Em apenas uma hora, das 17h às 18h, o céu mudou de cor várias vezes. Do forte e chamativo azul celeste, contrastado pela luz do sol, à versão mais clara, lentamente empalidecida pela despedida da mesma luz, antes da chegada do tom noturno. Muitas cores anunciaram progressivamente a luminosidade incerta do fim do dia, dando aos poucos lugar ao quase azul marinho, prenúncio da escuridão. Como o espetáculo da natureza, mesmo quando observado de uma pequena janela, de um pequeno apartamento no centro de uma grande cidade, cheia de atrativos pouco naturais, pode não ser visto como tal? Não é romantismo, é pura constatação. A riqueza de cada tom, de cada nuance desse espectro é a tradução visual de substâncias químicas, físicas e biológicas. São gases, átomos e células que combinados nos presenteiam com uma porção do universo chamada natureza. Nela pulsa a vida que nos abriga, alimenta e maravilha. O cuidado com a natureza não é, portanto, apenas uma causa ecológica chancelada em dados, pesquisas e informações, ou questionada pelos que ainda duvidam das evidências do aquecimento global. Cuidar do que é natural é ter olhos para distinguir, no detalhe, a riqueza das manifestações do universo a nosso dispor. Riqueza que traz do simples ato de olhar para o céu a certeza de que cuidar da natureza é também cultivar o que ainda resta de humano em nós.  

Hebe Rios

Editora-chefe

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