Saúde e economia: é hora de encontrar a melhor saída para evitarmos mortes de pessoas, empregos e empresas

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por Matheus Mason

Hoje vivemos uma das maiores crises da história do Brasil, provavelmente uma das maiores do mundo moderno. E as circunstâncias são completamente adversas de outras do passado. Não podemos mais relativizar a crise da saúde em detrimento da crise econômica, ou vice-versa. Não existe mais distinção. Agora as duas são uma crise única e ela vai apresentar altas taxas de mortalidade se não for tratada com visão, seriedade, liderança e com o real interesse em resolver o problema e proteger a população e o país.

Continuarmos discutindo sobre o que vai matar mais – o Covid-19 ou o colapso da economia – é perda de tempo e não deveria ser o foco das discussões. O problema está dado e a solução deste problema deve vir das pessoas capacitadas para tal. Pessoas que irão carregar o peso de fazer a “triagem” do que e quem vai sobreviver. O foco das discussões deveria estar em trazer a maior quantidade de informações de qualidade para que essas decisões sejam tomadas da melhor forma e o mais rápido possível.

Uma coisa é certa, a vida do ser humano deve estar em primeiro lugar e hoje ela está em risco, tanto pelo Coronavirus quanto pelo desemprego em massa e o caos social que vamos adentrar em curto prazo de tempo. Temos no Brasil uma situação econômica muito peculiar, diferente de muitos outros países. Aproximadamente 80% dos empregos do país são gerados por pequenas e médias empresas e estas não terão a possibilidade pagar os salários no próximo dia 5.

Como ainda não temos consenso sobre qual é a melhor solução para resolver a crise como um todo, saúde e economia, se é melhor manter a quarentena horizontal ou se a quarentena vertical é o suficiente, temos que tomar rápidas decisões para minimizar o impacto desta crise. O que não se pode acontecer é deixarmos ao alento milhões de trabalhadores que em questões de dias serão demitidos e estarão sem amparo para cuidar de suas vidas e da de suas famílias.

Se o governo não assumir seu papel e assegurar os salários diretamente aos trabalhadores e garantir que as pequenas e médias empresas sobrevivam para continuar empregando a grande maioria dos brasileiros, não vai ser uma determinação de Lockdown vertical ou horizontal que vai fazer as pessoas ficaram em casa.

Soluções existem, mas elas serão muito difíceis, com decisões duras e impopulares. E elas precisam acontecer muito rápido, sem agendas político-partidárias, com o risco de não terem mais a capacidade de resolver o problema.

Matheus Mason é empresário, co-proprietário do Restaurante Benedito e presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (Abrasel RMC), associação que representa 60 mil empregos e doze mil estabelecimentos de Alimentação Fora do Lar.

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