Campinas recebe a exposição “30ª Bienal de São Paulo – Seleção de Obras”, a partir de 19 de abril

Compartilhar

Parceria entre Sesc São Paulo e Fundação Bienal de São Paulo leva para a cidade exposição inédita com trabalhos de dezesseis artistas, brasileiros e estrangeiros que participaram da 30ª Bienal de São Paulo

 

A partir do dia 19 de abril, o público de Campinas e região terá a chance de ver trabalhos de importantes artistas plásticos do cenário nacional e internacional da arte contemporânea, que foram expostos na 30ª Bienal de São Paulo – A iminência das poéticas. Por meio da parceria firmada entre o Sesc São Paulo e a Fundação Bienal de São Paulo, o Sesc Campinas será uma das quatro unidades do interior do estado a receber a exposição “30ª Bienal de São Paulo – Seleção de Obras”, que também conta com uma parceria local entre Sesc Campinas, Secretaria Municipal de Cultura de Campinas e Sanasa – Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento. Além de Campinas, as unidades do Sesc que vão expor outros recortes da 30ª Bienal de São Paulo são Rio Preto (de 16 de abril), Bauru (17 de abril) e Araraquara (18 de abril).

 

 

As exposições apresentam conjuntos significativos do que foi a última edição da Bienal em São Paulo, refletindo a noção constelar proposta pela curadoria, com obras e artistas selecionados pelo curador Luis Pérez-Oramas, pelos curadores associados André Severo e Tobi Maier e pela curadora assistente Isabela Villanueva.

 

Os artistas selecionados na exposição em Campinas são nomes renomados do cenário mundial das artes plásticas, fotografia e áudio visual: Franz Erhard Walther (Alemanha), Allan Kaprow (EUA), Tehching Hsieh (Taiwan), Bas Jan Ader (Holanda), Fernando Ortega (México), Thiago Rocha Pitta (Brasil), Alexandre Navarro Moreira (Brasil) e Nydia Negromonte (Brasil), Absalon (Israel), Marcelo Coutinho (Brasil), Patrick Jolley (Irlanda), Benet Rossell (Espanha), Thomas Sipp,  Rodrigo Braga (Brasil), Alberto Bitar (Brasil), Iván Argote e Pauline Bastard (Colômbia), que ocuparão os espaços expositivos desenhados pelo arquiteto Martin Corullón, responsável pelo projeto arquitetônico/expográfico d’A iminência das poéticas. As obras ficarão expostas até o dia 30 de junho.

 

 

Iniciativa – A parceria estabelecida entre a Fundação Bienal de São Paulo e o SESC-SP teve início na 29ª edição em 2010 e, devido aos expressivos resultados e sucesso, foi reforçada e ampliada agora na 30ª edição. O diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, afirma que “o estreitamento desta parceria é fruto da compatibilidade das missões das instituições para com a difusão e fomento à arte contemporânea. Ao se propor um diálogo entre os critérios da exposição original e as características dos quatro espaços expositivos no interior paulista, dá-se ao público a oportunidade de adensar as conexões entre a arte e os contextos locais, menos expostos às provocações dos artistas contemporâneos, e que vem a colaborar na ampliação das possibilidades de leitura do efervescente mundo contemporâneo”.

 

Já o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Luis Terepins, vê na parceria um movimento ainda maior de expansão da Bienal para além de seu edifício-sede. “Um dos traços distintivos da 30ª Bienal foi a sua ativação pela cidade, ao apresentar obras em diversas outras instituições culturais da capital. Nos sentimos honrados em poder promover, juntamente com SESC-SP, essa importante iniciativa, agora em cidades onde a vida cultural e o interesse pela arte vivem um momento de vigorosa expansão”.

 

Exposição – No galpão ao lado do Galpão Sesc Campinas, em um ambiente que extrapola a situação de controle em espaços expositivos tradicionais, articula-se uma seleção de artistas cujas poéticas valorizam a ação, performance e a interação com o público. Assim se observa na adaptação dos objetos interativos de Franz Erhard Walther (Alemanha), que ocuparam o grande vão do Pavilhão Ciccillo Matarazzo em 2012 e agora poderão ser ativados pelo público de Campinas, e na apresentação das obras de três grandes destaques em ação artística da Bienal: Allan Kaprow (EUA), Tehching Hsieh (Taiwan) e Bas Jan Ader (Holanda).

 

Instalações decorrentes das obras apresentadas na Bienal intervém diretamente no espaço expositivo, como a remontagem de Momentos después del clavado (2005), um andaime construído por Fernando Ortega (México), e de Monumento (meio enterrado) à deriva continental (2012), obra de Thiago Rocha Pitta (Brasil) criada a partir de terra e cimento especialmente para a Bienal. Na parte externa do edifício, estarão fixados os cartazes de Apócrifo, de Alexandre Navarro Moreira (Brasil) e a instalação hidráulica de Nydia Negromonte (Brasil).

 

Vídeos de Absalon (Israel), Marcelo Coutinho (Brasil), Patrick Jolley (Irlanda), Benet Rossell (Espanha), Thomas Sipp e Rodrigo Braga (Brasil), um conjunto fotográfico de Alberto Bitar (Brasil) e a remontagem da instalação Home Cinema (2012) da dupla Iván Argote e Pauline Bastard (Colômbia) – que permite que o visitante assista um vídeo sentado em sofás – também poderão aguçar a curiosidade do espectador.

 

Imagens para divulgação (recomendado baixar o pdf de créditos primeiro)

Campinas:http://yousend.it/15hEK8F

 

Educativo – Além das exposições, a parceria entre Sesc e Fundação Bienal prevê ainda a realização de encontros de formação para professores e educadores em cada cidade, por meio do Educativo Bienal, com curadoria de Stela Barbieri. A experiência em atendimento ao público e formações dedicadas a todos os níveis de ensino permitem ao Educativo Bienal promover um intercâmbio de conhecimentos sobre arte contemporânea entre São Paulo e as cidades anfitriãs, considerando suas poéticas individuais. Nas quatro cidades, o Educativo realizará encontros de formação in situ, voltado aos educadores locais e encontros sobre arte contemporânea abertos ao público geral.

 

ARTISTAS
Franz Erhard Walther – (1939, Fulda, Alemanha)

A obra de Franz Erhard Walther ganha sentido e forma plena ao ser acionada pelo espectador. Propostas para a manipulação e a interação, suas peças solicitam o corpo do espectador e funcionam como instrumentos de ação. Confeccionados em tecidos de cortes retos, cores sóbrias e formas geométricas simples, os objetos de Walther demandam uma utilização quase sempre coletiva e geram instantes poéticos de troca, reconhecimento, estranheza e intimidade.

 

Thiago Rocha Pitta – (1980, Tiradentes, Brasil)

Centrado na relação entre arte e natureza, o trabalho de Thiago Rocha Pitta ganha forma em fotografias, desenhos, vídeos, pinturas, esculturas e instalações. Apostando no diálogo com o ambiente natural, o artista explora os padrões mutáveis do ar, do fogo ou da água por meio de intervenções que se expõem ao tempo e narram diferentes fenômenos e manifestações ambientais. Seu interesse em explorar os processos naturais dos elementos é propagado por um ponto de vista poético e se manifesta em seu trabalho como uma maneira de reforçar a natureza como coautora de seu projeto estético.

 

Nydia Negromonte – (1965, Lima, Peru)

Construindo sua poética a partir de diversos meios – desenho, escultura, instalação, fotografia, vídeo e intervenções in situ –, Nydia Negromonte propõe questionamentos sobre a força do objeto e os limites da linguagem artística. Utilizando amplo repertório plástico, a artista desmonta expectativas imediatas de entendimento de um projeto artístico e faz dos espaços intersticiais do ambiente de instauração de sua obra uma plataforma para indagações existenciais sobre a instabilidade da substância que constitui os corpos físicos e sobre a relação do humano com os espaços em que circunstancialmente habita.

 

Allan Kaprow – (1927, Atlantic City, Estados Unidos – 2006, Encinitas, Estados Unidos)

Nos anos 1950, Allan Kaprow criou uma série de ações aparentemente aleatórias, mas cuidadosamente coreografadas, intitulada 18 Happenings in 6 Parts e inaugurou um processo que o conduziria à produção de experiências que desafiavam a postura do espectador diante da obra de arte. Seus happenings incorporavam a intervenção do público, tornando difusa a separação entre artista e espectador. Kaprow gradualmente alterou sua prática para o que ele denominou Atividades: realizadas por uma ou mais pessoas e possivelmente incorporadas aos hábitos do dia a dia.

 

Tehching Hsieh – (1950, Nan-Chou, Taiwan)

Na primeira de suas Performances de Um Ano, Tehching Hsieh permaneceu confinado em uma cela em seu estúdio. Em seguida, registrou, com um relógio-ponto e fotografias, todas as horas do dia. Na terceira, passou os 365 dias vivendo nas ruas de Nova York. Depois, ficou amarrado a uma mulher sem poder tocá-la. A última performance (1985-86), anunciava seu distanciamento do mundo da arte. A partir de então, propôs-se viver treze anos produzindo arte sem mostrá-la até completar 49 anos, quando concluiu seu plano e deixou de atuar como artista.

 

Bas Jan Ader – (1942, Winschoten, Holanda – 1975, desaparecido no Oceano Atlântico)

Em tom ora dramático ora cômico e desprovidas de contexto narrativo, as performances de Bas Jan Ader evidenciam a noção de vulnerabilidade. Simples, misteriosas e implacáveis, as experiências às quais o artista se entrega parecem indagar o sentido da vida e da existência humanas. As circunstâncias de sua morte – desaparecido no Oceano Atlântico ao tentar atravessá-lo com um veleiro para realizar In Search of the Miraculous [Em busca do milagroso] – contribuíram para a mística em torno dele, como um artista que levou às últimas consequências as indagações sobre o significado e a perenidade da vida.

 

Fernando Ortega – (1971, Cidade do México, México)

A poética de Fernando Ortega revela a dimensão do excepcional e do inesperado em situações ou contextos ordinários. O artista reordena imagens, sons e objetos, buscando ampliar seus significados usuais. Guiado pela busca do invisível e do inaudível, ele procura um senso de equilíbrio que mina as convenções e joga com os pressupostos consabidos de realidade e irrealidade. Permeada pela dimensão íntima da experiência e do contato no dia a dia acelerado, sua obra guarda um caráter performático que busca interrogar os limites entre o real e suas possíveis representações.

 

Alexandre Moreira – (1974, Porto Alegre, Brasil)

Alexandre Navarro Moreira desenvolve ações independentes em que as ideias de seriação, disseminação, apropriação, colaboração, produção e compartilhamento de informação são evidenciadas pelo uso indiscriminado de fotografias oriundas de diversas fontes. Seu trabalho Apócrifo (2001–) ganha forma em cartazes, reproduzindo retratos de pessoas e inseridos diretamente na paisagem das grandes cidades. Colados em muros e tapumes onde geralmente estão cartazes de eventos e espetáculos, a apresentação de Apócrifo ocorre em um nível concreto de integração do objeto artístico com o contexto cotidiano das grandes metrópoles.

 

Absalon – (1964, Ashdod, Israel – 1993, Paris, França)

O trabalho de Absalon está intimamente ligado à arquitetura. Fascinado pelo espaço, suas células – esculturas habitáveis funcionais e privativas – foram confeccionadas a partir das medidas de seu corpo. Estes ambientes – planejados para que o artista vivesse temporariamente nos grandes centros urbanos – remetem à arquitetura modernista e investigam um novo entendimento do indivíduo. Como materialização de um trabalho autobiográfico tão público quanto íntimo, suas obras instauram um espaço de resistência da intimidade, da solidão e do confinamento dentro do ambiente social.

 

Benet Rossell – (1937, Àger, Espanha)

A partir de uma ligação íntima com a caligrafia, Benet Rossell trabalha com as situações efêmeras que normalmente passam despercebidas. Entre filmes, desenhos, gravuras, poemas e pinturas, suas obras transitam por diversas linguagens. Explorando a complexidade do simples, o artista criou seu próprio alfabeto de ícones – os “benigramas” – repleto de ideogramas e desenhos caligráficos que não se repetem, que coexistem e se articulam de forma a serem sempre únicos e reinventados. Mesclando elementos concretos, como água e árvore, a ideias abstratas, como infinito, vazio, humor e ironia, o alfabeto pessoal de Rossell parece narrar a espetacularidade da existência cotidiana.

 

Rodrigo Braga – (1976, Manaus, Brasil)

Ao mesmo tempo sedutoras, atordoantes, simples e exuberantes, as criações de Rodrigo Braga fazem oscilar nossas certezas e oferecem-se densas, misteriosas e desconcertantes a um embate direto com a objetividade e a racionalidade. Gerando indagações de ordem existencial a partir do dilaceramento do real, o artista reelabora seu inconsciente e cria atmosferas que ampliam o imaginário e expandem nosso entendimento da relação entre natureza e cultura. Tecidas a partir da entrega à experiência da criação, as obras de Braga desvelam situações insólitas e fragmentárias que contaminam a memória e propõem o deslocamento da percepção para um campo sensível de apreensão.

 

Thomas Sipp – (1967, Colmar, France)

Thomas Sipp realiza, desde o início dos anos 1990, uma obra consistente, de caráter documental, por meio de cinema, vídeo e rádio. Dando continuidade à tradição do cinema direct, Sipp é autor de uma obra intimista cujos temas – enunciados por meio de uma surpreendente e comovedora leveza fílmica – giram em torno de figuras da infância e da velhice. Oferecendo um olhar pós-humanista e poético sobre os limites da existência, o início e o fim do ciclo vital, as relações familiares, os ritos de passagem e a fragilidade do corpo, a poética do artista revela, com exata fidelidade documental, as potências criativas da existência cotidiana.

 

Iván Argote & Pauline Bastard – (Iván Argote: 1983, Bogotá, Colômbia e Pauline Bastard: 1982, Rouen, França)

A dupla de artistas Iván Argote e Pauline Bastard reflete sobre a relação entre o público e o privado e a impessoalidade na vida íntima das pessoas. Em seus trabalhos, convidam os espectadores a participar da obra – impelindo-os a se relacionar entre si e atentar ao que permanece invisível no dia a dia. A ideia central de suas obras parece ser os procedimentos que fazem com que os espectadores se identifiquem com os trabalhos, que são, de certa maneira, obras ficcionais sobre suas vidas.

 

Patrick Jolley – (1966, Bangor, Irlanda – 2012, Nova Délhi, Índia)

Composto a partir de imagens hipnóticas que se contrapõem às estruturas narrativas convencionais, o trabalho de Patrick Jolley é marcado por sequências imagéticas densas, fragmentárias e oblíquas em que situações inusitadas ganham uma tônica quase sobrenatural. Seus filmes criam atmosferas improváveis que investem as experiências cotidianas de fantasias, elevam a fisicalidade e fazem oscilar nossa noção objetiva da realidade.

 

Marcelo Coutinho – (1968, Campina Grande, Brasil)

Ao buscar entender aquilo que se passa fora da linguagem, Marcelo Coutinho concentra sua pesquisa plástica e audiovisual em torno da criação de palavras que definem sensações avessas aos códigos preestabelecidos da língua portuguesa. Desde 1997, o artista dedica-se aos neologismos – materializados em performances, objetos, filmes e instalações –, que procuram definir os acometimentos provocados por deslizes perceptivos, rupturas espaciais,

lapsos corporais, ausências temporais e invasões repentinas de outras lógicas.

 

Alberto Bitar – (1970, Belém, Brasil)

Alberto Bitar fotografa pessoas, paisagens, cidades, situações e contextos como uma

testemunha da existência. Explorando os limites técnicos do meio fotográfico na construção

de uma linguagem visual de sofisticada simplicidade, o artista faz das modificações

luminosas e das variações na velocidade de captação, um modo particular de registrar e

evidenciar ocorrências fugazes. Questionando a noção do registro objetivo da imagem em

fotografias ao mesmo tempo impactantes, estranhas e surpreendentes, Bitar cria uma obra

plástica que não almeja ser um reflexo do mundo, mas uma via de exposição das tensões e dos

paradoxos que se instauram em nosso cotidiano.

 

SERVIÇO

Sesc Campinas:

Abertura da exposição: 19/4 às 20h. Entrada Gratuita.

Período de visitação: 20/4 a 30/6.

Visitação: Grátis

Terça a sexta, das 9h30 às 21h30; Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Endereço da Exposição: Rua Dr. Bonifácio de Castro Filho, 61. Ao lado do Galpão Sesc

Endereço Sesc Campinas: R. Dom José I, 270/333, Campinas

Telefone: (19) 3737-1500

 

PROGRAMAÇÃO EDUCATIVO BIENAL

Encontro de Formação em arte contemporânea para professores e educadores sociais

 

Encontros gratuitos sobre arte contemporânea destinado a professores, educadores sociais, estudantes e interessados.

 

SESC Campinas: 25 de abril, das 14h às 17h

*inscrições, horários e locais disponíveis em breve no site da Bienal:www.bienal.org.br

Deixe uma resposta