“Salve uma vida em casa, assistindo televisão!”

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Quando uma criança é diagnosticada com câncer, os desafios que os pais enfrentam são incontáveis. Além da rotina da casa, vem a rotina de tratamentos e cuidados com a saúde do filho por um longo período. Por que não aprendermos então, com eles, a como enfrentar o nosso período de isolamento social, imposto pela pandemia do novo coronavírus?

Lidando com a incerteza

Priscila Pires Antoniassi, mãe de Arthur, de 8 anos, que trata de um osteossarcoma no Centro Infantil Boldrini, relata que, desde que recebeu o diagnóstico do filho, há três anos, foi fundamental que a família aprendesse a lidar com as incertezas do tratamento para que todos pudessem continuar aproveitando os bons momentos de cada dia.

“Há três anos, ao receber o diagnóstico de que meu filho Arthur, então com 5 anos, tinha um osteossarcoma na perna, sabia que estava prestes a viver momentos imprevisíveis. Existiam diversos cenários possíveis à nossa frente, mas não era possível pularmos etapas, nem deixar tudo de lado até o tratamento acabar. Por isso, ao mesmo tempo em que enfrentávamos todo nosso medo e angústia, também nos esforçávamos para lembrar que uma vida bem vivida tem que ter risada e amor abundante. Meu filho nos mostra isso. Ele transborda felicidade e, mesmo após ter amputado a perninha, nada o impede de ser uma criança como as outras. Lidamos com a incerteza enfrentando cada dia de uma vez e prestando atenção no que cada um nos traz de especial”.

Isolamento e saudade

Para Maristela Lago, mãe de Maria Eduarda, de 17 anos, em tratamento no Boldrini contra um linfoma Hodgkin, a saída para lidar com tempos de isolamento e a saudade (das pessoas e até na nossa antiga rotina) é aprender a ressignificar e a priorizar.

“Eu, por exemplo, passei mais de um mês com a Duda em um quarto de hospital, após a realização de um transplante, sem sair de lá e sem poder receber visitas. Nesse momento tão difícil, fiz amigos no próprio hospital que lembrarei para a vida inteira. É uma experiência que muda nosso jeito de ver o mundo, de tratar as pessoas e de processar tanta informação diariamente. Na época, parei de trabalhar, mudei minha rotina, enfrentei o medo e a incerteza. Você sente saudade do que tinha antes, sente fala das pessoas, mas tem que focar no bem maior, que é a saúde. Ter foco nos dá muita força. É um amadurecimento”, conta Maristela.

Pequenas coisas são apenas isso – pequenas

Com mais pessoas em casa – e por mais tempo – é comum surgirem atritos. Nesses momentos, é importante manter uma perspectiva do que é realmente significativo para nós. Trata-se de um exercício constante, pois, é claro, depois de pedir ao seu filho pela 37ª vez para ele limpar o quarto, uma “coisa pequena” vez ou outra acaba nos afetando. Mas vale lembrar: muitas vezes, problemas que nos causam tremenda agitação são mesmo …. pequenos.

Estabeleça rotina: o melhor da vida é viver

Carolina Prado Ruggiero, mãe de Bruno, de 3 anos, que trata leucemia, conta que, após a doença do filho, aprendeu que o cotidiano é maravilhoso. E dá essa dica aos pais nesse período turbulento. “Quanta alegria eu perderia se não tivesse aprendido a ver a vida desta maneira? Valorizo o simples, o cotidiano, o habitual. Acordar e meu filho não ter febre, ver que ele está comendo bem. Por isso, sugiro aos pais que agradeçam pelos dias corriqueiros e cotidianos da quarentena”.

Peça apoio, ensine empatia

“Salve uma vida em casa, assistindo televisão!” Maristela compartilha os aprendizados em vídeo.

Deixar-se ser amparada, segundo Maristela, também é fundamental. “No tratamento contra o câncer, não existe cartilha. É preciso tatear caso a caso, e é difícil lidar com tamanha insegurança. Temos dias tensos, temos dias de muita alegria. Dia de alegria com nosso filho e preocupação com o da colega ao lado. Celebramos conquistas. Conhecemos pessoas incríveis. Dividimos nossas mais profundas angústias e descobertas com desconhecidos que, de repente, se tornam as pessoas com quem mais convivemos por meses”.

Sobre o Centro Infantil Boldrini

Centro Infantil Boldrini − maior hospital especializado na América Latina, localizado em Campinas, que há 42 anos atua no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue. Atualmente, o Boldrini trata cerca de 10 mil pacientes de diversas cidades brasileiras e alguns de países da América Latina, a maioria (80%) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos centros mais avançados do país, o Boldrini reúne alta tecnologia em diagnóstico e tratamento clínico especializado, comparáveis ao Primeiro Mundo, disponibilidade de leitos e atendimento humanitário às crianças portadoras dessas doenças. www.boldrini.org.br

Fonte: Assessoria de Imprensa

Hebe Rios

Editora-chefe

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