ReExistir traz a intervenção coletivo fotográfico feminino no MIS

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“Carolinas” traz a narrativa das lutas através do olhar de mulheres no registro e construção de imagens

A mostra ReExistir está incluída na Mostra Luta que acontece no MIS ( Museu da Imagem e do Som de Campinas)e é a primeira intervenção do coletivo feminino de fotografia Carolinas. A abertura acontece no dia 25 de outubro, a partir das 19h e terá roda de conversa com as fotógrafas e convidadas.

ReExistir traz algumas proposições do existir e resistir no Brasil pós-golpe e as lutas constantes por direitos básicos como saúde, moradia, educação, cultura, gênero e identidade. As ameaças constantes na democracia e liberdade pelo ultraconservadorismo que mostra uma face fascista, não dialética, cheia de ódio e violência. As minorias que são a grande maioria da nossa população brasileira sofrem com as tentativas de invisibilidade e cerceamento das vozes.

A mostra reúne o trabalho de 4 fotografas do coletivo “Carolinas”: Cintia Antunes, Fabiana Ribeiro, Gabriela Zanardi e Sandra Lopes (Foto: Sandra Lopes)

A exposição é composta por imagens impressas em tecido nas dimensões 1,20 x 0,80m, o suporte de impressão em tecido é uma das propostas do coletivo na busca da tridimensionalidade das imagens, uma vez que o tecido tem movimento e interage com o espaço fazendo uma analogia as mulheres e suas pautas.

“Somos únicas, quando reconhecemos a beleza da diversidade, nos amamos, respeitamos e potencializamos o melhor de nós. E só através de muito amor próprio e empoderamento que mulheres se libertam e podem inspirar outras mulheres.” Essa é a proposta da fotógrafa e arte-educadora Cintia Antunes, que traz cinco fotos extraídas do projeto EmPodera, fruto de oficinas gratuitas de fotografia realizadas por ela na cidade. As fotografias retratam adolescentes de projetos sociais, onde foram ministradas as oficinas. Segundo Cintia; “ A adolescência é uma fase de muito embate a respeito de identidade, sofremos uma pressão gigantesca sobre os padrões de beleza, é nessa faixa etária que temos que desconstruir e empoderar. Só assim nos tornamos protagonistas da nossa própria história. ”

As mulheres, o seu corpo, a autoaceitação e a liberdade de escolha. O olhar intimista, feminista e poético traz a mulher para o centro das discussões é a proposição que a fotógrafa Gabriela Zanardi traz para a mostra.

Os tempos de ódio, intolerância e desrespeito, onde se discute a “cura gay” e a escolha da opção sexual é considerada “doença a ser tratada”. Corpos e nudez que existem na arte desde que o homem começou a desenhar e pintar paredes, tetos e outras superfícies de cavernas e abrigos rochosos, ou mesmo sobre superfícies rochosas ao ar livre na pré-história, conhecida como arte rupestre.

A mostra traz a importância em ocupar espaços entre eles o espaço público e poder empoderar linguagem e voz feminina que sofrem constantemente com as tentativas de silenciamento que é muitas vezes brutal.

Em Campinas, várias fotografas começam a compartilhar da ideia comum em formar um grupo feminino a fim de dar uma maior visibilidade ao trabalho feminino na área. Cinco mulheres com linguagens diferentes tomaram a iniciativa de formar a base para um coletivo feminino de fotografia; “Carolinas”. O grupo tem a proposta de ser inclusivo e agregar a produção feminina local com a participação das mulheres que fotografam.

O coletivo de fotografia feminino está em construção e na formação da sua base estão as fotografas Cintia Antunes, Fabiana Ribeiro, Gabriela Zanardi e Sandra Lopes, e a especialista cultural Juliana Siqueira. O nome “Carolinas” surgiu da ideia de incluir as diferentes linguagens femininas fotográficas e suas autoras. Uma homenagem a mulheres como escritora negra Carolina de Jesus e outras mulheres como a educadora Carolina Florence. A heterogenia e a inclusão aliadas a preocupação com o papel da fotografia no processo de democratização de imagens, informações e sociais fazem parte da proposta do coletivo.

Serviço:
ReExistir
Mostra Luta
Abertura: 25 de outubro, quarta-feira, a partir das 19h
Período: de 25 de outubro a 26 de novembro
Horário: Terça a sexta-feira, das 10 às 20h e sábados, das 10 às 16h
Local: Museu da Imagem e do Som de Campinas
Endereço: Rua Regente Feijó, 859

Álvaro da Silva Júnior

Jornalista, Fotógrafo e profissional de Marketing e Comunicação Integrada.

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